Cury Filho acredita que as sucessivas crises que ocorrem em escala global, quase que na velocidade da luz – o exemplo mais recente é a guerra entre Israel e Palestina -, demandam um novo olhar em relação a governança e a gestão do patrimônio das Famílias Empresárias.
Em um mundo de policrise, há cada vez menos espaço para o antigo modelo de empresa familiar. Aquele modelo de negócio no qual o “dono” é proprietário e gestor, com processos decisórios centralizados e a operação do dia a dia a cargo dos membros da família. Com o fundador focado 100% na gestão diária do negócio, não é de se estranhar que falte tempo para pensar estrategicamente, com visão de futuro e longo prazo.
A edição 2023 do Family Office Summit Brazil, promovida no último dia 23 de outubro, em São Paulo, pelo Fórum Brasileiro da Família Empresária (FBFE), reuniu cerca de 60 participantes, como Family Offices, acionistas e membros de grandes Empresas Familiares interessados em debater a importância da transformação da Família Empresária em Família Investidora.
O FBFE é a principal referência em Family Business no Brasil, conectando mais de 5 mil acionistas ultra-high-net-worth-inviduals (UHNWI), com o propósito de capacitar a família empresária e ajudá-la na perpetuidade do seu legado familiar.
Com o objetivo de sumarizar as ideias e as exposições apresentadas durante o Family Offices Summit Brazil 2022, realizado no dia 21 de novembro, no Hotel Emiliano, em São Paulo, a diretora do Centro de Inovação Social da IE University (Madri), Concepción Galdón, voltou a palestrar, deixando insights sobre meios para adoção das melhores práticas em negócios familiares.
“Sustentabilidade implica reunir variáveis sociais, ambientais e econômicas. Essa é uma dificuldade de trabalhar a agenda ESG nos Family Offices, pois não se pode endereçar uma parte e abdicar das demais: você não fatia ESG,” afirmou Concepción Galdón.
Dados da pesquisa ESG e as empresas de capital aberto, realizada pela Grant Thornton Brasil, revelam que 75% das empresas participantes entendem a importância dos aspectos ambientais, sociais e de governança para o futuro dos negócios, mas ainda não encontraram os caminhos para que sejam considerados nas decisões que darão o rumo dos negócios.
“A maioria compreende a relevância dessa pauta para os negócios. Porém, apenas 14% dos entrevistados afirmaram levar em conta a agenda ESG para tomada de decisão. No entanto, quando observamos o recorte setorial das empresas financeiras, todas as empresas pesquisadas consideram os aspectos ESG dentre os temas prioritários”, ressaltou Daniel Maranhão, CEO da Grant Thornton Brasil.
Managing partner da Ahead Investment Consulting, Thiago Silveira, um dos palestrantes do Family Office Summit Brazil 2022, realizado no dia 21 de novembro, no Hotel Emiliano, em São Paulo, abordou a iniciativa que está viabilizando investimentos de famílias brasileiras no mercado asiático. Ele representa a plataforma Invest Hong Kong no Brasil, escritório criado pelo governo daquele país para atrair investidores.
“Estruturamos um desk, instalado no Rio de Janeiro, que oferece apoio desde a etapa de planejamento, setup, lançamento e expansão no negócio na Ásia. Grandes empresas brasileiras – como Alpargatas, Americanas e Bradesco – já se beneficiaram desse fluxo: por que não os family offices?”, sugeriu executivo da Invest Hong Kong.
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