O World Economic Forum constatou, na última pesquisa anual de percepção de riscos globais, que os investidores passaram a se preocupar com o meio ambiente, colocando três tópicos dessa área nos primeiros lugares: falha na ação climática, eventos climáticos extremos e perda de biodiversidade e colapso do ecossistema.
Paulo Bianchi, portfolio manager do J.P Morgan Private Banking, trouxe esses dados para o Family Office Summit Brazil 2022, realizado no dia 21 de novembro, em São Paulo, com o objetivo de apontar que uma mudança está em curso na forma de analisar e, principalmente, realizar investimentos.
“Há dez anos, as percepções de risco estavam direcionadas para questões de economia e geopolítica. O que temos de preocupação com a sustentabilidade hoje não é algo passageiro e, de fato, a agenda ESG vai crescer; e isso possibilitará uma série de oportunidades investimento”, avaliou o executivo.
Bianchi explicou que, atualmente, há quatro categorias de investimentos com algum critério relacionado ao ESG. No primeiro caso, a escolha é por negação; ou seja, não se investe em determinador setor ou organização por acreditar que cause danos ao meio ambiente ou à sociedade. O segmento de óleo e gás é um exemplo dessa primeira categoria.
Outra forma de investir alinhado aos propósitos de sustentabilidade, disse, é o “modelo temático”, em que se escolhe um segmento de mercado que desempenhe determinado papel positivo na área em que se busca avanço.
Há ainda o impact investment, que são investimentos em empresas, organizações ou fundos com a intenção de gerar impacto social e ambiental mensurável, além do retorno financeiro. Por fim, a categoria ESG investment segue uma avaliação completa dos aspectos de governança, impacto ambiental e responsabilidade social de uma determina companhia ou fundo de investimentos.
“A principal forma de fazer investimentos sustentáveis ainda é eliminando os setores que você entende que sejam prejudiciais ou que não estão alinhados com seus valores”, afirmou Bianchi. Todavia, ele destacou que a integração e a análise completa da agenda ESG, num processo de investimento mais tradicional, é o modelo que mais cresceu nos últimos anos.
Para os céticos, o executivo de investimentos trouxe dados de um trabalho produzido pela Universidade de Nova Iorque (NYU), analisando as conclusões de mil papers sobre os resultados práticos e o retorno financeiro de investimentos alinhados com ESG. “O total de 58% dos estudos indica que uma estratégia ESG traz retornos positivos. Outra parcela dos trabalhos indicou neutralidade quanto a isso, enquanto uma minoria indicou que não há resultados e que se perdeu dinheiro”, contou.
O executivo do J.P Morgan Private Banking estima que a indústria de fundos de investimento ESG alcançou a marca global de US$ 3 trilhões. Há projeções de crescimento para o segmento, explicadas por uma série de fatores, incluindo o pacote de financiamento da transição energética, recentemente aprovado pelo Congresso dos Estados Unidos.
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