Nelson Cury Filho destacou a alegria de retornar a Belo Horizonte e relembrou a trajetória do FBFE, que nasceu de uma inquietação pessoal há mais de uma década, quando, após seu mestrado no INSEAD, percebeu a ausência de espaços intimistas e exclusivos para troca de experiências entre famílias empresárias no Brasil.
O evento começou pequeno, com encontros realizados na casa de empresários locais, e se transformou, ao longo dos anos, na maior plataforma de family business do país, sempre pautada pela inovação e por uma abordagem disruptiva.
Nelson relembrou momentos-chave da história do FBFE: a expansão dos eventos para diversas cidades brasileiras, o pioneirismo ao criar encontros focados em liderança feminina, o nascimento do Family Office Summit, que trouxe, pela primeira vez, a abertura pública das estratégias de investimento de grandes famílias e o lançamento da revista anual, que consolidou histórias e depoimentos em um material atemporal.
Ele também destacou o impacto da pandemia na plataforma, que, ao contrário das expectativas, acelerou seu crescimento por meio da criação de Hub, capaz de conectar famílias de todo o país e ampliar a comunidade para mais de cinco mil membros.
Nelson apresentou ainda cases que simbolizam o espírito de inovação defendido pelo evento, como o da família de Amanda e Leandro Pinto, que transformou uma empresa tradicional de produção de ovos ao incorporar práticas de bem-estar animal e até a criação de um ovo vegano, iniciativa liderada pela nova geração.
Para ele, esse exemplo evidencia a importância de permitir que a inovação aconteça dentro da própria família: “se for para disruptar, que seja por nós mesmos”.
A palestra também trouxe reflexões sobre grandes movimentos globais que impactarão diretamente as empresas familiares nas próximas décadas. Um dos pontos centrais foi a maior transferência de riqueza da história, que deve ocorrer até 2048, com cerca de 124 trilhões de dólares sendo passados para millennials e geração Z apenas nos Estados Unidos, além de aproximadamente 8 trilhões no Brasil, o segundo maior volume do mundo.
Nelson Cury Filho destacou também que, até 2050, 70% da riqueza mundial estará nas mãos das mulheres, o que transformará profundamente a dinâmica de decisão, investimento e liderança. Esse cenário, somado ao perfil das novas gerações que valorizam propósito, impacto e experiências em vez de patrimônio e bens materiais, redesenha completamente a forma de gerir o legado familiar.
Outro tema abordado foi o avanço acelerado da tecnologia e da inteligência artificial, que, segundo Nelson, está apenas começando a mostrar seu verdadeiro impacto. Com o surgimento da IA, capazes de tomar decisões de forma autônoma com base no comportamento humano, ele provocou o público a refletir sobre o futuro dos investimentos e dos family offices, imaginando um cenário em que máquinas possam tomar decisões mais precisas e racionais do que gestores tradicionais. Para ele, essa revolução exigirá coragem e adaptação constante por parte das famílias empresárias.
Cury Filho também chamou atenção para um fenômeno recente e preocupante: não apenas a falta de sucessores capacitados, mas a ausência de herdeiros na linha sucessória, já que as famílias estão tendo cada vez menos filhos. Esse novo contexto coloca em pauta a necessidade de repensar modelos de sucessão e governança para assegurar a continuidade do legado.
Ao final, reforçou que o futuro das empresas familiares dependerá da habilidade de equilibrar tradição e inovação, sem perder a essência que sustenta o legado. Ele deixou ao público uma provocação poderosa: como garantir que a próxima geração herde não apenas capital, mas também propósito e valores?
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