Durante o Family Office Summit Brazil 2025, organizado pelo Fórum Brasileiro da Família Empresária – FBFE no Hotel Emiliano, um dos painéis mais aguardados foi conduzido por Adriano Sartori, Edson Ferrari e Antônio Reis, executivos da CBRE, maior empresa de real estate do mundo.
Com décadas de experiência no setor, o trio trouxe ao público uma visão abrangente e estratégica sobre o papel dos ativos imobiliários na preservação e crescimento do patrimônio familiar, enfatizando o poder da gestão ativa, da diversificação e da inteligência de dados.
Adriano Sartori abriu a apresentação destacando a trajetória centenária da CBRE, que nasceu em 1773 e chegou ao Brasil em 1979, consolidando-se hoje como uma plataforma global com presença em 128 países e mais de 130 mil colaboradores.
“Essa presença global nos permite ter uma visão 360º do mercado imobiliário, algo essencial para apoiar famílias empresárias e investidores em decisões mais embasadas e estratégicas”, destacou Sartori.
No Brasil, a empresa conta com cerca de 2.300 colaboradores distribuídos em oito escritórios, de Recife a Curitiba. Um dos diferenciais da CBRE, segundo ele, é o modelo de atuação baseado em consultoria, sem conflito de interesses. “Todos somos funcionários da casa. Começamos como trainees, não dependemos de comissão. Isso nos dá isenção e discernimento na hora de recomendar ou não um investimento”, ressaltou.
O painel abordou como o real estate pode e deve ser visto pelas famílias empresárias como um vetor estratégico de diversificação, rentabilidade e perpetuidade patrimonial.
A CBRE atua em todas as etapas do ciclo imobiliário, desde a avaliação e aquisição de ativos até a gestão de carteiras, locações e decisões de desinvestimento. “Cuidamos do ativo do ponto de vista financeiro e técnico: se está vago, se há necessidade de melhorias, ou se é o momento ideal para vender ou comprar”, explicou Sartori.
O executivo citou ainda segmentos em alta como logística, data centers, hotelaria, multifamily, saúde e educação, todos com crescimento expressivo pós-pandemia. “O mercado de multifamily, por exemplo, representa 28% das aquisições globais e ainda está engatinhando no Brasil, o que mostra o potencial de expansão”, observou.
Na sequência, Edson Ferrari, diretor de Capital Markets da CBRE, aprofundou a discussão trazendo exemplos práticos de transformação de ativos e mostrando como a releitura de imóveis existentes pode gerar alto valor agregado.
“O ativo que hoje parece obsoleto pode ser o grande trunfo de amanhã”, afirmou. Ele citou casos emblemáticos de antigas áreas fabris na Marginal Pinheiros, no Ipiranga e na Avenida 9 de Julho, que se transformaram em empreendimentos residenciais e corporativos de altíssimo padrão.
Ferrari também apresentou dados sobre o rebalanceamento global de investimentos imobiliários, com destaque para o avanço de segmentos como multifamily e logística, e ressaltou a relevância crescente do capital familiar nesse cenário. “O capital privado das famílias tem ocupado espaços deixados por grandes fundos. Isso abre oportunidades incríveis para quem busca retorno com visão de longo prazo”, disse.
Ao falar sobre a preservação de patrimônio, Ferrari destacou três pilares essenciais: localização, qualidade construtiva e receita.
“Esses três fatores definem a perpetuidade do ativo. Quando olhamos para a Faria Lima, por exemplo, por trás de muitos prédios estão famílias que entenderam essa lógica, localização privilegiada, padrão construtivo elevado e contratos de longo prazo”, afirmou.
Encerrando o painel no Family Office Summit Brazil 2025, Antônio Reis abordou o tema da gestão ativa de portfólios imobiliários, defendendo que o sucesso está na organização e no acompanhamento contínuo dos ativos.
“Não basta comprar um bom imóvel e esperar que ele se valorize. É preciso atuar de forma estratégica, acompanhando o ciclo do mercado, os contratos, a rentabilidade e as oportunidades de reciclagem de ativos”, explicou.
Reis apresentou a plataforma Ires, desenvolvida pela CBRE, que consolida informações de portfólios imobiliários e permite decisões mais embasadas, conectando dados de mercado, preços, contratos e históricos de performance.
Segundo ele, uma gestão ativa pode aumentar em até 100% o retorno real de um portfólio ao longo de uma década, quando comparada a uma gestão passiva. “Quem acompanha de perto, diversifica e sabe o momento certo de comprar e vender, além de multiplicar resultados”, enfatizou.
O executivo também apresentou cases de family offices brasileiros que expandiram seus investimentos imobiliários para o exterior, em destinos como Lisboa, Paris e Nova York, buscando diversificação geográfica e sucessória.
“Essas famílias estão pensando no futuro e na segurança das próximas gerações. A diversificação internacional é uma forma de perpetuar o patrimônio com resiliência e visão global”, afirmou.
O painel da CBRE no Family Office Summit Brazil 2025 foi uma verdadeira imersão na gestão estratégica de patrimônio imobiliário, unindo experiência global, inteligência local e foco em perpetuidade.
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