Durante o Family Office Summit Brazil 2025, realizado pelo FBFE no Hotel Emiliano, Alexandre Drabowicz, Chief Investment Officer Global da Indosuez Wealth Management e Matteo Dignola, responsável pela operação da instituição para a América Latina, compartilharam uma ampla análise sobre o cenário econômico internacional e as tendências que moldam os investimentos das famílias de alta renda ao redor do mundo.
O painel começou com Matteo Dignola apresentando a trajetória e a força do Grupo Crédit Agricole, um dos maiores conglomerados financeiros do planeta, presente em 46 países e com mais de 150 anos de história.
“O Crédit Agricole é hoje o décimo grupo financeiro do mundo e o terceiro maior banco da Europa”, destacou. O executivo explicou que o Indosuez, braço de Wealth Management e Private Banking do grupo, administra cerca de US$ 250 bilhões em ativos, com 4.300 profissionais distribuídos globalmente, sendo a Suíça o principal centro de atendimento para clientes internacionais.
Dignola ressaltou ainda a importância do Brasil na nova onda de transferência de riqueza global. “Nos próximos dez anos, cerca de US$ 9 trilhões em ativos mudarão de geração no país — o segundo maior volume de transferência de riqueza do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos”, observou.
Segundo ele, esse movimento representa um grande desafio e também uma oportunidade para family offices e gestores patrimoniais que buscam planejar sucessões e diversificar investimentos em um ambiente de transformações aceleradas.
Em sua primeira visita ao Brasil, Alexandre Drabowicz apresentou o Global Outlook do Indosuez, intitulado “Recalibração”, que reflete o momento de ajustes econômicos e estratégicos após anos de grandes transformações. O CIO destacou que, apesar da volatilidade política e das tensões comerciais, a economia mundial tem mostrado resiliência.
“Nos Estados Unidos, o crescimento segue acima de 2%, sustentado pelo consumo e pela solidez das empresas. Na Europa, o desempenho tem surpreendido positivamente, com a Alemanha investindo fortemente em infraestrutura e defesa. Já a China, contrariando previsões pessimistas, se mantém como uma economia resiliente e cada vez mais integrada a outros mercados emergentes”, afirmou.
Drabowicz alertou, porém, para o fim de um modelo econômico baseado em energia barata da Rússia e produtos de baixo custo da China. “A Europa está em um processo de reinvenção, investindo em autonomia e modernização, uma oportunidade para investidores atentos ao longo prazo”, observou.
Sobre alocação de ativos, Drabowicz destacou um cenário otimista para ações globais e mercados emergentes, especialmente na Ásia. “Os emergentes vêm entregando retornos acima de 30% em dólares, liderados por Coreia, Taiwan e China. As valorizações ainda são atrativas, com ampla liquidez doméstica”, explicou.
Ele também abordou a força do setor de tecnologia e da inteligência artificial (IA), tema que dominou parte da conversa. Apesar de reconhecer o risco de uma “bolha tecnológica”, Drabowicz vê fundamentos sólidos. “As empresas de tecnologia hoje são altamente rentáveis e pouco alavancadas. Há um ciclo virtuoso de inovação e reinvestimento que continua impulsionando produtividade”, avaliou.
Durante o debate no evento, o público também discutiu o papel da IA agêntica, sistemas capazes de agir proativamente e executar tarefas complexas como um novo salto de eficiência para o setor financeiro. “Talvez ainda subestimemos o impacto da IA na produtividade global”, ponderou Drabowicz.
Encerrando o painel, Matteo Dignola comentou sobre o amadurecimento das famílias brasileiras em suas estratégias de investimento. “Há dez anos, 80% do patrimônio das famílias permanecia no Brasil. Hoje, vemos uma tendência de diversificação, com 40% a 50% dos ativos alocados no exterior, um movimento que demonstra maior profissionalização e visão global”, explicou.
O executivo destacou o crescente interesse por private markets, com famílias brasileiras participando de co-investimentos internacionais e fundos semilíquidos em private equity e private debt. “Esse é um sinal claro de sofisticação e de busca por retornos consistentes em diferentes geografias e classes de ativos”, completou.
A palestra de Alexandre Drabowicz e Matteo Dignola do Crédit Agricole Indosuez no Family Office Summit Brazil 2025 reforçou a importância de uma visão internacional integrada e de gestão patrimonial estratégica, aliando prudência e inovação.
O evento, promovido pelo FBFE, mais uma vez consolidou-se como o principal fórum brasileiro de debate sobre gestão de fortunas, sucessão e investimentos de longo prazo.
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